terça-feira, 3 de junho de 2014

POR SE METER MAIS NAS COISAS DOS OUTROS

Chegando no trabalho hoje, dei uma ré no carro para não impedir uma rampa de acesso para cadeirantes. Daí que tarra lá toda feliz por ter contribuído com a humanidade quando chega um carro escroto e estaciona na minha frente, bloqueando a rampa.

Vamos pensar que a motorista não viu a rampa. Que, do ângulo de visão que ela tinha, do sentido em que ela vinha, do alto do carro, não dava pra ver a rampa.

Como lidar? 

- “Ô, moça! Não pode estacionar aqui não porque aqui é rampa”.
- “Ah, é?”
- “É! Estaciona atrás do meu.”

E tirou mesmo.

Segui meu caminho com aquela sensação chata de perceber quantas vezes antes eu havia me importado. Poderiam ser mais. Já deixei muita rampa passar, preocupada em levar fora ou por preguiça. Porque, né, minhas preocupações são sempre muito relevantes.

Há uma mudança grande acontecendo aqui. A cada ano ligo mais o “foda-se” e relaxo. Dá até medo. Vou virar uma velha encrenqueira pácaralho, porém, justa.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

SEGURANÇA DE CARRO FORTE: UM SER FANTÁSTICO

O Grupo Preserve Liserve é uma das várias empresas de segurança que atuam na cidade do Recife. Mas não 'preserva' outro importante conceito para a vida em sociedade: a cidadania. 
Passava das 12h30 de hoje, 21/1/2014, quando um carro-forte da empresa, de número 0713, estacionou na frente da Lotérica do Edf. Bosque de Versalhes, na Avenida Visconde de Suassuna, no Recife. Parou na rua, ligou o alerta. Desceu um segurança com uma conta na mão e se dirigiu a Lotérica. Lá, ele encontrou uma fila de mais de 10 pessoas, deu a volta na fila e foi direto ao caixa. O segurança do Grupo Preserve Liserve tinha uma urgência absurda de pagar a conta. Maior do que a de qualquer um ali na fila. Furou a fila bonito. Sem satisfações. 
Uma senhora, do alto de seus 60 anos (desculpa, senhora, pelamordeDeus, se não for essa sua idade, mas pareceu), tinha uns trocentos boletos na mão. Mas, ela podia esperar. Um motoboy todo zoado também parecia que ia demorar horas no guichê. Mas, ele podia esperar. E o segurança não? Porra.
(Moral da história do He-man) Hoje aprendi que seguranças são realmente seres bem diferentes dos humanos. Enquanto o carro-forte contribuía para piorar o trânsito numa das vias mais movimentadas da cidade, o segurança do Grupo Preserve Liserve contribuía para destruir o pouco que ainda me resta de crença na humanidade.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

DESTRUA. EVOLUA.

No fim de 2011 publiquei este artigo que achei na net, do Guilherme Velho, e mais atual do que nunca. Por isso, lá vai ele mais uma vez. Bora desapegar neste fim de ano? No mínimo, vamos ajudar alguém. E certamente a nós mesmos. 

"Neste Natal, só me dei um presente: uma trituradora de papéis. Ela é excelente. Tritura até 7 folhas por vez e ainda cartões de crédito, CD’s etc. Ainda tem “função reversa”. Nos últimos 5 dias, já destruí mais papelada do que nos últimos 5 anos somados. E posso dizer, é uma experiência absolutamente libertadora.

“Shiva é o terceiro deus da Trindade Hinduísta. Conta-se que Brahma criou o Universo; Vishnu o sustentou por um dia de Brahma (4 trilhões de anos terrestres) e no seu término Shiva o destruiu para que pudesse ser novamente criado (a ideia de renovação cíclica da vida).”

Temos o conceito fortemente estabelecido de que perder alguma coisa é ruim. Para falar a verdade, sempre achei graça dos gregos quebrando pratos ou dos tibetanos destruindo aquelas mandalas de areia que demoram meses sendo desenhadas. Mas o quão sábio não é isso? Há um forte teor de desapego nisso tudo. Como li em um desses e-mails que as tias mandam pr’a gente, “é preciso jogar coisas velhas fora, abrindo espaço para que as novas apareçam“. Lembra do lindo filme ‘Up‘ da Pixar? E daquela história do peso da mochila, de ‘Up in the Air‘?

Por isso, hoje temos toda uma filosofia do minimalismo ganhando força. Blogs como o Zen Habits, o Becoming Minimalist ou o mnmlist falam muito bem sobre o assunto. Nós não somos as coisas que temos. Nós não precisamos de tanta coisa assim. No Discovery Home&Health, há um programa chamado “Acumuladores“. Um programa mais triste do que curioso. O pior é que, em certo teor, estamos todos contraindo esse distúrbio do acúmulo compulsivo. Somando, querendo, juntando.

Minha proposta para você, nessa última semana vazia e fantasmagórica do ano: desfaça-se. Separe toda aquela papelada que você nunca mais usará e destrua. Separe as roupas que não lhe servem mais e doe para a comunidade carente mais próxima ou para uma instituição necessitada. Doe essa pilha de livros que só faz pegar poeira. “Zere” seus pendrives, apague mensagens desnecessárias, delete sem dó aqueles e-mails marcados com estrelinhas que você nunca responderá. Desista do “produto abacaxi”. Quebre o porquinho e invista em algo útil. Livre-se. Descubra o que realmente é necessário e fique com pouco.

A chuva de papel picado do último dia útil, cada vez mais em desuso, nunca fez tanto sentido. Tenha uma ótima destruição você também. E uma reconstrução mais inspirada ainda."

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

POR UMA VIDA MAIS OFF-LINE

Defini que, entre 2013 a 2015, eu só vou ler textos longos referentes ao tema da minha dissertação. Porém, terei que abrir deliciosas exceções.  Como essa abaixo e sugiro: LEIAM. Vai explodir sua cabeça. Para o bem.
Li este texto através de um compartilhamento que namorado meu lindo fez numa rede social via blog Don’t touch my moleskine. O referido post apresenta David Baker. Por anos ele foi editor-chefe da versão inglesa da revista Wired, a bíblia da tecnologia, e hoje é professor na The School of Life, a escola criada por Alain de Botton e Roman Kznaric (“Escola da vida” criada em Londres planeja versão brasileira + Como encontrar o trabalho da sua vida).
Nos anos 1980, Baker deixou o emprego em um escritório de relações públicas e teve que aprender duas coisas: como ganhar dinheiro sendo seu próprio empregador e como lidar com o tempo para tirar o melhor proveito dele. Em uma época em que o lema era “work hard, play hard”, Baker decidiu não ser um yuppie. “Tomei uma decisão de trabalhar menos, ganhar menos e gastar menos. Vivo confortavelmente, não sou um milionário. Entre os meus amigos, provavelmente, sou o que ganha menos, mas sou o que tem mais tempo. E pra mim essa troca foi bonita.”
Marco abaixo os trechos que mais pirei. Você pode ler tudo na íntegra aqui
“O que nós precisamos é reconfigurar nossa relação com a tecnologia. Em vez de usá-la para viver nossas vidas, nós temos que viver as nossas vidas e usá-la como ferramentas extras para isso”.
Isso me lembrou uma recente discussão no Facebook sobre usar ou não Whatsapp, que não levou a lugar nenhum. Certamente chegaríamos a algum lugar se esse lugar fosse mais, digamos, analógico.
“Pessoas que não podem deixar seus telefones de lado têm um problema psicológico”.  
De uns tempos pra cá tenho achado cada vez mais libertador ficar longe do meu.
“Eu checo emails duas vezes por dia, geralmente. E minha vida é ok, não é um desastre. No resto do tempo eu espero encontrar prazer em outros lugares”.
Estou avaliando profundamente uma forma de entrar nessa também sem levar bronca do chefe.
“Quanto mais conectados, mais nos sentimos sozinhos. O que acontece é a Fomo (fear of missing out), o medo de perder as coisas é um sentimento muito profundo, principalmente para quem vive em grandes cidades. O que acontece é que na internet vivemos em “megalópolis”.
Se eu já tive Fomo, já passou.
“Ficar sozinho não precisa ser uma coisa ruim. Porque a internet é baseada em conexão, quanto menos você tem parece que é pior. Mas esses momentos quando estamos sozinhos de uma maneira boa são momentos de pensamentos profundos que podem nos levar a descobertas maravilhosas sobre o que somos capazes de fazer”.
Só me faltam os ‘pensamentos profundos’ e as ‘descobertas maravilhosas’, solidão pra mim é tranquilo. Momentos. Curtos. 
“Informação hoje na internet tem que gritar para ser ouvida. Acho que a quantidade de dados que trafega na internet em um mês é de 40 exabyte. O interessante é que 5 exabytes é o número total de palavras ditas pelos seres humanos em toda a história”.
WHAAAAT?
E o resto, dá pra notar, é sensacional.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

PÉ CHATO E OUTROS DESALINHOS

Existe um momento perfeito para pensar na vida. Tem a hora do banho, na cama antes de dormir, no trânsito. Na esteira da academia. Concordam que qualquer caminhada ou corrida vira um bom momento para pensar? Dia desses, na esteira da academia, ao invés de pensar na vida, pensei no pé. No meu. Nos meus. E fiquei remoendo a historinha daqueles pés tamanho 36, brancos e cheios de frescura. 
Eles nasceram chatos. Tocavam, quase por inteiro, o chão. Eu não me lembro de sentir dores por causa disso, mas logo tive que usar botas ortopédicas. Era chato usar botas porque meus pés eram chatos e isso era muito chato e elas ainda eram marrons, acho que da Ortopé, não lembro bem. Naqueles tempos, tudo que era sapato era Ortopé. Vai ver nem era. Bom, usei. Também não lembro exatamente de quando as deixei, mas percebi, ali na esteira que, olhando pra eles, pisando tão direitinho, é que o tratamento que eu fiz, que papai e mamãe fizeram, deu tão certo que passou da conta.    
Seguinte: quando toca o chão, o pé chato se apóia pelo lado mais interno, contorcionando-se pra dentro e usando o dedão para dar impulso ao andar. O contrário existe e se chama pé cavo, quando o arco é muito acentuado. Neste caso, ao caminhar, o pé toca o chão do lado externo do calcanhar e continua o movimento usando o seu lado mais experto, ganhando impulso com o dedo mindinho. O que eu quero dizer é que, caminhando ali na esteira, constatei que meu pé, que era chato, virou cavo! 
Isso explica as dores que sinto quando fico muito tempo em pé. Dores que, para ‘nossa’ alegria, nunca tiveram a ver com idade ou salto alto. Pelo contrário, sinto dores na lombar quando ando durante muito tempo sem salto. Falando em salto, constatei outra coisa: é indescritível a sensação de colocar um tênis confortável e pisar, pisar bem, sentindo o pé fazendo o movimento completo da caminhada, depois de um dia inteiro de trabalho em cima dos saltos. E chegar em casa e, no banho, ensaboar e massagear bem os pés? E, antes de deitar, encher os pés com um creminho com aquelas coisas ardidinhas deliciosas? Eu faço isso to-dos os dias. Hoje uso um da Avon que tem umas bolinhas vermelhas que esfoliam e soltam um cheirinho delicioso. Deve ser de romã. Esse é pra dormir feliz. E quando não tem nada, uso hidratante mesmo. Mas quase nunca passa batido. Meus pés não são normais. Não são mesmo.  
Dez bons creminhos:
  1. Creme de Massagem Nutritivo Açai para os pés 75g – O Boticário
  2. Creme Hidratante para os pés Algodão 50 ml – Natura
  3. Creme de pés Lavanda – L´Occitane
  4. Loção Energizante para os pés Mint Bliss – Mary Kay
  5. Creme Desodorante para os Pés Principles 50 g – Racco
  6. Foot Works Creme de Hidratação profunda para pés Extra Secos 90 g – Avon
  7. Hidratante para Pés Ressecado Nowergian Formula – Neutrogena
  8. Creme para Pés Private SPA Sensatios 120 g – Mahogany
  9. Creme para os Pés Time for Feet – Sparkkli
  10. Creme para os Pés Lipikar Podologics – La - Roche Posay

domingo, 6 de outubro de 2013

NUM FIM DE DOMINGO QUALQUER, UMA CONSTATAÇÃO.

No mestrado é assim: depois que você recolhe mais de 200 fontes de conteúdo sobre o tema da sua dissertação, você descansa? Não, VOCÊ LÊ. 

Depois que você lê mais de 200 fontes de conteúdo sobre o tema da sua dissertação, você descansa? Não, VOCÊ CATEGORIZA. 
Depois que você categoriza mais de 200 fontes de conteúdo sobre o tema da sua dissertação, você descansa? Não, VOCÊ COMEÇA SEU PROJETO. 
Depois que você termina seu projeto, você descansa? Não, seu burro, dá zero pra ele. O nome é pro-je-to. VOCÊ AJUSTA E COMEÇA A DISSERTAÇÃO. 
Depois que você ajusta e começa a dissertação, você descansa? Não, VOCÊ PRENDE A RESPIRAÇÃO ATÉ APRESENTAR A DISSERTAÇÃO. 
A parte boa deste último ponto é que, mesmo com alguns neurônios a menos até aí, você já pode assinar como mestranda. 
Mas ainda não é mestre. 
O que não muda em nada na prática para mim até 2015.
Né?

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

DEZ TATUAGENS E UM SEGREDO

Nicholas já não aguentava mais contar com as anotações de Maya para estudar quando faltava as aulas. Era a ela que ele recorria, mas Maya tinha a mania de fazer marcações de trechos estranhos dos textos em cores coloridas no tablet e isso deixava Nicholas louco. Era a demonstração da inteligência fora do comum de Maya, mas Nicholas era prático: isso atrapalhava mais do que ajudava. Se Sofia também não tivesse faltado aquela aula... Ela tem faltado muito desde que resolveu trabalhar na empresa da mãe. “É só uma experiência, não quero trabalhar com isso”, ela vive repetindo, mas todo mundo sabe que é mentira.
Sofia, Maya e Nicholas. se conhecem desde pequenos e, para eles, é estranho estudar na mesma faculdade dos pais. “Minha mãe não estudou lá”, vive repetindo Sofia, também – ela repete muitas coisas, e isso não é um bom sinal para quem quer seguir os passos da mãe, baseado na objetividade e imediatismo do Jornalismo. A única coisa que ninguém a vê repetir é sobre o amor platônico que ela sente por Heitor. Ela esconde porque é claro que ele está mais preocupado com seus planos de passar oito meses viajando pelo mundo depois da faculdade do que com amor, até mesmo com as aulas, que estão prestes a acabar. Para ele, que decidiu ser jornalista como os pais, esta viagem é imprescindível para completar sua formação profissional. Na verdade, todos eles são filhos de jornalistas, mas não concordam inteiramente com Heitor sobre carreira. Maya parece ser a única a concordar com ele, mas ela prefere acreditar que fará muito dinheiro visitando pequenas marcas de roupas e sapatos mundo afora e fechar parcerias para trazer para o Recife peças exclusivas, enquanto o foco de Nicholas é o mundo digital. Todo ele. O cara é fera.
Rapaz franzino, esse Nicholas. Com uma pele cor de doce-de-leite e uma tremenda dor de cabeça. Sua mãe contou há algumas semanas que a tatuagem que ela tem no pulso é igual a dos amigos de faculdade. Foi feita anos depois de formatura – na verdade, muitos anos depois – por todos, juntos, no mesmo dia e no mesmo lugar, numa raríssima chance que tiveram de se ver. Diz a lenda que, no dia em que, todas as tatuagens se juntarem novamente, vai chover chocolate. Nicholas precisa disso. Ele acredita em um mundo melhor. E convenceu os amigos a ajudá-lo a encontrar os amigos da mãe e convencê-los a se encontrar em algum lugar, qualquer lugar, para que a profecia se realize. Bem que podia ser em Londres. Bem que podia ter cupcakes de Romeu e Julieta. O lugar não importa: o que importa é o benefício mundial de todos estarem juntos novamente. E os cupcakes, claro. 
Para André, Nina, Dani, Carla, Deza, Tê, Ju, Cris e Rex, que nunca ficarão tão longe assim de mim.