domingo, 17 de janeiro de 2010

TEXTÍCULO

Às vezes, do nada, paro pra pensar em qual ponto da minha vida eu estou. Mas negligente que sou, tento me avaliar em um período de no máximo 365 dias, pros menos informados, o equivalente a um ano. Ontem, durante uma cagada que analisava as vertentes da minha vida de merda (hat-trick – a escatologia do Ronald Rios, a vertente do Felipe Neto e a piada out-of-time do Antônio Tabet) lembrei que nessa mesma época do ano anterior traçava planos para o ano próximo (no caso, esse que estamos agora) com minha ex-namorada.
Entre um suspiro e outro (de alívio, que fique claro, afinal estava defecando), lembrei-me que um dos meus primeiros planos era casar. Sabendo da dificuldade de dois recém-formados, queríamos uma cerimônia simples, aqui na praia de água suja, porém morna, do norte do Espírito, para família e alguns amigos íntimos. Aquela cerimônia idealizada por 75% das meninas mineiras que encontram um caiçara e querem casar descalças, mas se esquecem que a cerimônia na praia é alvo de muitas intempéries, e o vento é apenas uma delas.
Subseqüente a idéia do casamento, planejava construir uma casa. Dois pombinhos morando com os sogros não rola. Teríamos que ter nosso canto e a idéia ia se tornando mais viável à medida que analisamos as facilidades que teríamos. Como sou engenheiro civil, partes dos custos seriam supridos por mão-de-obra própria e já possuía o terreno para construir. Assim sendo, poderia investir mais do meu suado dinheiro em luxo e em uma mesa de sinuca sala. Só pra você ter idéia, no projeto que dei início a casa seria meio que um loft, aquelas casas abertonas onde só teria a divisão dos quartos, que no caso seriam três, o do casal, o da filha da ex-namorada e o de visitas.
E por último, mas não menos importante, tinha a idéia de trocar de carro. Já que boa parte do meu orçamento seria carcomida pela construção do lar e despesas das bodas, delineei apenas uma atualização no meu velho gol 1.0 porque não poderia me dar o luxo de ter um veículo para trabalho distinto do meu veículo de passeio.
Depois de todo devaneio, terminei o ato que havia começado (defecar, lembram?) fiz todo o ritual que a Secretaria de Saúde e o Pr. Jajá recomendam e fui deitar. Durante aquele período pré-sono resolvi fazer o balanço da minha vida atual em contraste com os planos que eu havia feito. E a analise foi a seguinte:
Não dei um update no meu gol. Comprei outro carro. Hoje tenho um carro absurdamente melhor. Tudo bem que não é nenhuma BMW, mas não é um carro que você sugere que eu uso a trabalho. Tirando que não tem vômito de criança, nem arranhão de chave, nem fedor de leite derramado. Ponto para mim.
Possível situação do meu carro após uma briga qualquer.
Não construí uma casa. Moro com meus pais e não tenho gastos como faxineira, alimentação, luz, telefone, TV a cabo, internet entre outros. Em contrapartida não tenho a liberdade de promover noites de sexo com gêmeas suecas e regadas a Absolut, mas se analisarmos bem, pagar esporadicamente um hotel/motel sai muito mais barato e eu não tenho que arrumar nada no dia seguinte. Sem contar que não tem parede riscada, brinquedos espalhados pela casa nem tenho que deixar de assistir ESPN pra ver Discovery Kids. Ah, tenho minha mesa de bilhar e minhas fichas de pôquer. Dois pontos pra mim.
Não casei, mas comprei um Playstation 3 e uma TV de LCD. Infinitos pontos pra mim.
Pensando bem os suspiros que dei logo acima foi de alívio, mas não por estar defecando.

Um comentário:

SergioChristino disse...

Olá muito bom o seu blog desejo a você uma boa semana, e que continue assim, estamos te seguindo